dor na coluna araraquara

Dor na coluna: medicamentos não resolvem o problema

A dor na coluna é um mal muito presente no cotidiano do brasileiro. Na busca pelo alívio rápido, alguns usam e abusam de medicamentos como paracetamol, ibuprofeno e outros. Mas a ciência têm demonstrado que eles não funcionam como prometem.

Somente no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, existem 27 milhões de casos de problemas na coluna. Em 2016, quase 200 mil trabalhadores foram afastados de seus empregos por dores na coluna. Foi a principal causa de afastamento pelo INSS naquele ano.
Estes números são muito expressivos. Eles indicam que a rotina do brasileiro está refletindo em problemas nas costas.

As causas mais comuns das dores nas costas estão relacionadas a estes hábitos diários. São eles:
•Horas em frente ao computador
•Uso extensivo de aparelhos eletrônicos
•Má postura
•Tempo prolongado em posição sentada
•Sedentarismo

Mas até mesmo os não sedentários sofrem com isso, embora em menor escala. Exercícios físicos não acompanhados por profissional frequentemente são causadores de lesões na coluna também.

O problema com a dor na coluna

Como é uma dor bastante comum, o brasileiro já se acostumou com a ingestão de remédios para alívio imediato. Isto é um problema.
Em alguns casos o remédio até é necessário, porém o uso deve ser acompanhado pelo profissional de saúde responsável.
O nosso fisioterapeuta Eduardo Pereira Lima afirma que “Não repudia o uso de remédios, porém seu uso indiscriminado e inconsequente”.

dor na coluna remedio

Ele conta que “Uma revisão sistemática de 2015 com estudos de alta qualidade demonstrou que o fármaco paracetamol não foi mais eficaz que o placebo para alívio da dor, disfunção e qualidade de vida em pacientes com dor lombar, ou seja, tomar paracetamol ou água com açúcar dá no mesmo.”

Os estudos são feitos com grupos de controle que tomam placebo, para serem comparados com os resultados do grupo que fez ingestão do medicamento.
Outro medicamento bastante utilizado para dor ciático, a Pregabalina, também se mostrou ineficiente em estudos. Sua taxa de melhora era a mesma que o grupo de controle, que ingeriu placebo.

Assim, o maior problema de quem tem dor na coluna é ingerir, em excesso e sem supervisão médica, medicamentos que não funcionam como prometem.

E os anti-inflamatórios, Eduardo?

“Anti-inflamatórios como Ibuprofeno e Diclofenaco possuem efeito mínimo na redução da dor na coluna e essa redução é apenas durante o efeito do medicamento.” A revisão sistemática que chegou à conclusão é de 2017.

Nos remédios que surtiram algum efeito, como é o caso destes, há outros problemas:
•a melhora temporária camufla o problema real
A dor é um aviso do corpo de que algo não está bem. Com o alívio medicamentoso da dor, o paciente tende a prolongar e repetir o uso quando a dor na coluna reaparece.
•o uso dos anti-inflamatórios tem efeitos colaterais
Estudos apontam frequente incidência de dor gastrointestinal nos pacientes que usam anti-inflamatórios. Ou se convive com a dor no estômago, ou opta-se pela adição de mais um remédio para aliviá-la.

Então não tem jeito para a dor na coluna?

Tem sim. Ele não é imediato como o de alguns remédios. Porém é muito mais duradouro. Trata-se da fisioterapia especializada.
A ideia do tratamento fisioterapêutico é “a partir da ciência, buscar escolhas eficazes que gerem menor dano ao paciente e tragam um resultado mais satisfatório e duradouro.”

Eduardo afirma que “analisando e ponderando o que a ciência nos mostra, podemos afirmar que a fisioterapia é, atualmente, o tratamento conservador mais efetivo para a dor na coluna.”

Ele faz questão de deixar claro que o tratamento a que se refere é a Fisioterapia especializada. Um conjunto de técnicas que conta com
•terapia manual
•exercícios de fortalecimento
•condicionamento físico
•e mais importante: com aval dos mais atualizados estudos científicos.
Adiciona ainda que não está falando sobre eletrotermoterapia. Segundo ele, “a ciência já afirmou que choquinho e luz vermelha são tão eficientes como tomar água com açúcar para tratar a dor na coluna, ou seja, é uma enganação”.

Eduardo Pereira Lima
Eduardo Pereira Lima – Fisioterapeuta na Clínica Cefisa

Eduardo Pereira Lima (Fisioterapeuta e Educador Físico – CREFITO-SP: 232920-F)

Formação em Quiropraxia, Certificação Internacional Avançada para o Tratamento da Coluna Baseado no Sistema de Subgrupos com Endosso na Universidade de Pittsburgh (modulo A), ScientificExercises Approach to Scoliosis (SEAS), Mulligan, Maitland, Técnicas de mobilização Neural, Dry Needling, Liberação Miosfacial Manual e Instrumental, Neurociência da dor.

Fontes:
REFERÊNCIAS:
MACHADO, G. C.; MAHER, C. G.; FERREIRA, P. H.; PINHEIRO; CHRISTIANE LIN, C.; O DAY, R.; MCLACHLAN, J. A.F.; FERRERIA, M. L.; Efficacy and safety of paracetamol for spinal pain and osteoarthritis: systematic review and meta-analysis of randomised placebo controlled trials. BMJ 2015;350.
MACHADO, G. C.; MAHER, C. G.; FERREIRA, P. H.; O DAY, R.; PINHEIRO, M.B.; FERREIRA, M.L. Non-steroidal anti-inflammatory drugs for spinal pain: a systematic review. Ann Rheum Dis
2017;76:1269–1278. meta-analysis
MATHIESON, S.; MAHER, C.G; McLaclan, A. J.; LATIMER, J.; KOES, B.W.; HANCOCK, M.J.. HARRIS, I.; DAY O., R.; BILLOT, L.; PIK, J.; JAN, S.; LIN, C. Trial of Pregabalin for Acute and Chronic Sciatica. N engl j med 376;12 nejm.org March 23, 2017.
SHADEED, C.A.; MAHER, C.G.; WILLLIANS, K.A.; Efficacy, Tolerability, and Dose-Dependent Effects of Opioid Analgesics for Low Back PainA Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med. 2016;176(7):958-968.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *