fibromialgia

Fibromialgia: a dor invisível aos exames

Se você já ouviu que a Fibromialgia é “coisa da cabeça” do paciente, que não é uma doença real… Bom, isso não é verdade. Ainda que seja de diagnóstico difícil, ela afeta o paciente não só física, mas também mentalmente. Deixando marcas em todas as esferas de sua vida.
A fibromialgia atinge 3% da população brasileira. Sendo que desses 3%, 8 em cada 10 são mulheres. Mas ainda que sejam a maioria, elas não são as únicas!
Continue a ler o texto que preparamos com tudo que você precisa saber sobre fibromialgia e acabe com as suas dúvidas.

O que é Fibromialgia?

Fibromialgia é uma doença crônica que causa dor generalizada ou deixa algumas áreas do corpo sensíveis ao toque. Essas dores devem durar por pelo menos 3 meses. É considerada generalizada quando há dor:

  • Nos dois lados do corpo;
  • Acima e abaixo da cintura;
  • No esqueleto axial (coluna cervical, músculo do tórax, coluna torácica, lombar).

A dor pode ocorrer por todo o corpo ou se deslocar de uma área para outra. Pessoas de todas as idades podem ser afetadas. Homens e mulheres. Incluindo crianças.
Se traduzirmos fibromialgia literalmente, a palavra significa dor nos músculos, ligamentos e tendões. Porém a fibromialgia é muito mais do que apenas a dor. Ainda que ela já seja o suficiente para afetar de modo significativo a vida de uma pessoa.
Os sintomas de quem tem fibromialgia varia muito e dependem de pessoa para pessoa.

Sintomas da Fibromialgia

A dor generalizada, que pode aumentar e diminuir de forma variada, é o primeiro sintoma da fibromialgia. Mas vamos conhecer todos eles mais cuidadosamente.

1. Dor

A dor é profunda, crônica e difundida. Podendo se deslocar pelo corpo e variar em intensidade. É muitas vezes descrita como aguda e repentina. A dor muscular também pode ser forte e recorrente. É provável que sinta como se os músculos estivessem pulsando, acompanhado de desconforto ou de simples espasmos.
Existem também queixas de ordem neurológica que podem afetar as partes do corpo. Como a sensação de dormência, formigamento e ardência.
A dor e a rigidez são mais intensas pela manhã. Fatores agravantes incluem clima úmido ou frio, má qualidade do sono, fadiga física e mental, ansiedade e estresse. Além disso, tanto o excesso de atividade física como a total inatividade também são agravantes.

2. Fadiga

A fadiga que atinge pessoas com essa doença não é aquela que estamos acostumados a sentir depois de um dia corrido de trabalho, por exemplo. Não é cansaço, é exaustão. As mais simples atividades do dia-a-dia ficam comprometidas.

3. Problemas para dormir

Pessoas com Fibromialgia têm dificuldades para dormir e restaurar as forças gastas durante o dia. Pesquisas médicas indicam que elas são levadas a acordar por uma atividade cerebral repentina.

4. Outros sintomas

Outros sintomas incluem irritação intestinal e na bexiga. Dores de cabeça e enxaqueca. Assim como síndrome da perna inquieta, também chamada de Doença de Willis-Ekbom. Essa doença é caracterizada por uma vontade quase incontrolável de mexer as pernas. Além disso, podem ocorrer falhas na memória e dificuldade na concentração, pele irritada e erupções cutâneas, olhos e boca secos, zumbido nos ouvidos, ansiedade, problemas na visão, tontura e problemas de coordenação. Outra doença relacionada à Fibromialgia é a doença de Raynaud, em que algumas partes do corpo ficam frias e dormentes. Além do lúpus, a artrite e até mesmo a depressão.
A Fibromialgia está associada com vários tipos de doença, o que torna o diagnóstico ainda mais complicado. Mas ainda que seja confirmado que você tenha outra dessas doenças, isso não anula a possibilidade da Fibromialgia.

Causas da Fibromialgia

A causa para a Fibromialgia continua sendo, desde o século XIX (1801) quando foi primeiramente descrita, um mistério. Mas já se comprovou que há uma série de fatores que podem levar à doença.

Mensagens de dor fora do comum

A maioria dos pesquisadores concordam que pessoas com Fibromialgia desenvolveram algum tipo de mudança no sistema nervoso central.
O sistema nervoso central é formado pelo cérebro, pela medula espinhal e pelos nervos. Ele é responsável por transmitir informações para todo o corpo. É ele que vai receber estímulos externos como o calor e a dor e te avisar sobre, por exemplo, possíveis perigos.
Falhas nesse sistema podem explicar o porquê de a Fibromialgia provocar dor constante ou alta sensibilidade.

Desequilíbrio químico

Foi constatado que pacientes com Fibromialgia possuem níveis anormalmente baixos dos hormônios serotonina, dopamina e noradrenalina em seus cérebros.
Tais níveis podem estar relacionados com a Fibromialgia porque esses hormônios regulam o apetite, o humor, o comportamento, o sono e a sua resposta a situações estressantes.
Além disso, esses hormônios têm influência sobre as mensagens enviadas pelo sistema nervoso central.

Problemas para dormir

Mais do que um sintoma, a dificuldade para dormir adequadamente pode ser também um fator que leva a Fibromialgia.

Genética

Estudos recentes indicam que existe uma predisposição para o desenvolvimento da Fibromialgia. Algumas pessoas podem ser mais suscetíveis à doença do que outras.
Isso explicaria porque muitos apresentam a doença depois de um fator desencadeador. Isso quer dizer que após algum evento de suas vidas, a fibromialgia aparece sem causa aparente em algumas pessoas.
Vamos conhecer alguns deles abaixo.

Possíveis fatores que podem estar envolvidos

A Fibromialgia é frequentemente desencadeada por acontecimentos que levam ao estresse, seja físico ou emocional. Entre eles estão incluídos:

  • Lesões;
  • A morte de um ente querido;
  • O parto;
  • Infecções virais;
  • Realizar uma operação;
  • O término de um relacionamento.

Mas, apesar de ser frequente, nem sempre a Fibromialgia será decorrente de fatores desse tipo. Como vimos, as causas são muitas.

Diagnosticando a Fibromialgia

Leva, em média, 5 anos até uma pessoa que tem fibromialgia receber o diagnóstico preciso. Isso porque identificar a doença não é tarefa fácil. Já que os sintomas podem variar e estar associados a diversas outras doenças.
O diagnóstico pode ser feito de duas maneiras.
A forma mais antiga envolve o histórico de dor generalizada do paciente. Leva-se em conta a presença de pelo menos 11 dos 18 pontos de dor espalhados pelo corpo para se detectar a fibromialgia. O médico realiza um exame no paciente, pressionando esses pontos. Para saber se o paciente é sensível a eles ou não. Encontrando ao menos 11 pontos sensíveis, considera-se a pessoa com fibromialgia.
No novo método o paciente responde a 42 questões relacionadas aos sintomas da doença. Com isso se verifica quais deles estão presentes e quais não estão. Além das perguntas iniciais, o médico também pode fazer outras que ache pertinente. Depois disso a pessoa é examinada. Lembra que falamos sobre as outras doenças que acompanham a Fibromialgia? É com esse exame que se verifica como elas afetaram o corpo do paciente.
Baseado nesses procedimentos, uma fórmula matemática é usada para se chegar ao diagnóstico da Fibromialgia.
Fórmula matemática? Um método com certeza incomum. Mas dada a complexidade da doença, foi o mais próximo que os especialistas chegaram para obter o resultado correto.

Tratando a Fibromialgia

Mesmo não tendo cura, o tratamento para a Fibromialgia mostrou melhoras significativas na qualidade de vida de quem convive com a doença. O método é multidisciplinar, ou seja, envolve várias áreas com o propósito de diminuir os sintomas e melhorar as funções do paciente.
O seu médico tem um papel importantíssimo ao te encaminhar para as formas de tratamento mais efetivas para o seu caso. Afinal, cada caso é diferente. E exige uma atenção única.
É essencial se enfatizar que o tratamento para a doença envolve diversos métodos. Com a ajuda de diversos profissionais. Os sintomas são muitos e não há como tratar tantos sintomas de uma única maneira. Não funciona. Por isso, fique atento ao profissionais necessários.

O trabalho multidisciplinar no combate à Fibromialgia

Para ter um tratamento adequado você precisa, pelo menos, de:

  • Um médico que irá inspecionar o tratamento como um todo e que também será responsável por prescrever e monitorar a medicação;
  • Um profissional da medicina complementar para ajudar a descobrir que formas de tratamento alternativo mais beneficiam o paciente. Como, por exemplo, exercícios aeróbicos. Ele é quem verifica se as novas medidas então ou não mostrando resultado. Caso contrário, os exercícios são alterados e outra tentativa é feita. Até que se encontre o tratamento mais eficiente. Isso é essencial para manter a motivação do paciente. Mesmo que o resultado imediato não aconteça, é preciso saber que sempre há outra alternativa.
  • Um psicólogo. É importante que esse profissional seja adepto da terapia cognitiva comportamental. Ele não só cuida da saúde emocional do paciente. Também o auxilia a aprender a fazer ajustes em sua vida diária. Isso é inevitável para quem tem uma doença crônica. Existem pacientes que resistem às mudanças, pois exigem esforço e causam desconforto. Mas é indispensável que se reconheça a necessidade da adaptação do estilo de vida.

Outra parte importante do tratamento é identificar e tratar os sintomas causados por outras doenças. Lembre-se que a Fibromialgia pode vir acompanhada.

Tratamentos disponíveis para a Fibromialgia

Medicação

Há vários tipos de medicação envolvida no tratamento da Fibromialgia.

  • Analgésicos:

Analgésicos simples que não exigem receita podem ser efetivos. Mas nem todos são adequados. Então é necessário prestar atenção a isso.
Se esses medicamentos não forem efetivos para aliviar as dores, o seu médico pode receitar medicamentos mais fortes como a codeína e o tramadol.
Mas, a tendência é que o esses medicamentos percam o efeito com o tempo e a dose terá que aumentar.

  • Antidepressivos:

Além disso, esses medicamentos também podem ajudar no alívio da dor para algumas pessoas com Fibromialgia. Isso acontece porque eles aumentam o nível de substâncias químicas (neurotransmissores) que mandam mensagem do cérebro e para o cérebro. O baixo nível de neurotransmissores pode estar associado à Fibromialgia. Acredita-se que o seu aumento pode aliviar as dores.
Há várias opções de antidepressivos. A escolha vai depender da gravidade dos sintomas e dos efeitos colaterais.

  • Medicação para ajudar no sono:

Como falamos, a Fibromialgia pode afetar seu sono. Além disso, a falta de sono pode agravar muitos dos sintomas da doença. Então um medicamento que te ajude a dormir pode também auxiliar em muitos outros sintomas.
O medicamento pode ou não ser sob prescrição médica. Isso depende da intensidade do remédio.

  • Relaxantes musculares:

Um dos sintomas que descrevemos para quem tem Fibromialgia é a dor, a rigidez e os espasmos musculares. Então, relaxantes musculares podem contribuir. Um exemplo é o diazepam.

  • Anticonvulsivantes:

Esses medicamentos também podem ser prescritos. Apesar de serem próprios para a epilepsia, pesquisas mostraram que eles têm efeitos sobre as dores causadas pela Fibromialgia, Um exemplo é a pregabalina.

  • Antipsicóticos:

Esses medicamentos ajudam em dores a longo prazo. Estudos mostram que podem ser eficientes nos sintomas da Fibromialgia. Mas ainda é preciso confirmação.

Fique atento aos efeitos colaterais das medicações.

Outras opções de tratamento para a Fibromialgia

Como vimos, há várias formas de tratamento. Mas existem ainda outras opções:

  • Hidroterapia (exercício em piscina aquecida com fisioterapeuta);
  • Um programa de exercícios individualizado;
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC). Como mencionamos, esse método irá ajudar o paciente a enfrentar melhor as mudanças;
  • Psicoterapia para tratar o emocional;
  • Técnicas de relaxamento;
  • Apoio psicológico é também muito importante. Procure pessoas ou grupos que tenham que conviver com a mesma doença que você. Trocar experiências é uma ajuda maior do que parece.

Tratamentos alternativos

Alguns tratamentos complementares que pacientes com Fibromialgia costumam testar são:

  • Acupuntura;
  • Massagem;
  • Aromaterapia.

Há pouca evidência científica que suporte esses tratamentos. Mas o estresse é um dos fatores que agravam a Fibromialgia. Muitas pessoas contam que tratamentos como esses as permitem relaxar e diminuem o estresse.

Tratamento para as outras doenças

Se o seu diagnóstico indicou que você tem Fibromialgia e outra doença, como por exemplo a depressão, talvez seja necessário um tratamento feito separadamente. Com um especialista adequado e medicações complementares.

Lembre-se de estar sempre aos cuidados do seu médico de confiança. Para te orientar no caminho que mais te faça sentir bem!

Grupos de apoio para pessoas com Fibromialgia

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Imagem: Shutterstock

O dia 12 de maio é marcado como o dia mundial da Fibromialgia. Contar com esse dia nos calendários é importante para espalhar a conscientização. Para aqueles que podem estar com a doença e também para os que não estão.
Todo tipo de preconceito é prejudicial.
Muitos acham que a Fibromialgia não é uma doença real e isso dificulta ainda mais a vida de pessoas que vivem com ela. A fibromialgia já é um desafio e tanto. A sociedade não precisa ser um também.
Se você tem Fibromialgia não fique sozinho. É ótimo estar com pessoas conscientes e prestativas. Mas tão importante quanto é ter pessoas que realmente te entendam. Procure saber se há perto de você grupos de apoio à pessoas com Fibromialgia. Faça parte e troque experiências.

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